30 maio, 2012

Nova fase no tratamento de lixo inaugurada no Rio de janeiro

 

Com segurança ambiental centro de tratamento de resíduos sólidos de Seropédica terá a capacidade de receber 9 mil toneladas de lixo por dia.

 

Pessoas em meio ao lixo, convivendo diariamente com mau cheiro, ratos, insetos e urubus. As imagens do Aterro Sanitário de Gramacho, na Baixada Fluminense, que viajaram o mundo através de documentários como “Lixo Extraordinário” e “Estamira” fazem parte do passado. Com a inauguração, em abril do ano passado, do Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Seropédica, também na Baixada, local de destinação final do lixo produzido pelo município do Rio, uma nova etapa no tratamento de resíduos sólidos, mais limpa e moderna, foi inaugurada.

- O CTR Seropédica é um grande avanço ambiental. Saímos de um aterro controlado implantado em 1978, o Aterro de Gramacho, e agora temos um centro de tratamento de resíduos com total segurança em termos de impermeabilização de solo – explicou o gerente do CTR, Elias Gouvêa.

Com capacidade para receber até 9 mil toneladas de lixo por dia, são depositadas em Seropédica, atualmente, seis mil toneladas diárias, acondicionados em carretas que partem de estações de tratamento de resíduos espalhadas pela cidade. Ao chegar ao CTR, toda carga é classificada e pesada e, a partir dali, segue para seu destino final, onde será descarregada e seu conteúdo, coberto com argila. Por medida de segurança, todo o lixo precisa ser coberto em menos de 24 horas, evitando, assim, a proliferação de vetores, insetos e roedores, além de urubus.

- A gestão de resíduos numa cidade é, essencialmente, o sistema de transporte. O lixo é recolhido pelos caminhões da Comlurb, que seguem para as estações de transferência, ao invés de irem diretamente para Seropédica. Com isso, todo o lixo coletado na cidade vai até uma das estações de transferência e daí é transportado até o aterro de Seropédica em grandes carretas, cada uma delas levando o lixo correspondente a dois ou três caminhões. Com isso, reduz-se o fluxo de trânsito nas vias da cidade, diminuindo a poluição do ar, já que há menos emanação de gás – exemplificou assessor da diretoria técnica-industrial da Comlurb, José Henrique Penido.

Para não haver qualquer tipo de contaminação, o CTR conta com tecnologia de ponta, fazendo de Seropédica um dos centros de tratamento de lixo mais avançados de toda a América Latina. Entre as medidas de segurança está uma tripla camada de impermeabilização, com mantas de polietileno e um sistema de sensores no solo, que detectam qualquer tipo de vazamento, facilitando a resolução do problema.

- Por conta de certa proximidade com um aquífero, o Instituto Estadual de Ambiente (INEA) fez uma série de exigências de proteção a esse aquífero e a qualquer outro recurso hídrico próximo a ele. Por conta destas exigências, e da experiência com o aterro de Gramacho, o CTR Seropédica é operado em um nível de segurança extrema raríssimo no mundo – contou Penido.

- Aqui no CTR operamos com uma tecnologia já conhecida e utilizada em diversos lugares do mundo. A diferença é que, aqui, trabalhamos com a redundância, duplicando o número de camadas de impermeabilização do solo – explicou o diretor-presidente da Ciclus Ambiental, empresa vencedora da licitação para administrar o CTR de Seropédica.

com segurança ambiental

Mas a preocupação com o meio ambiente vai além da impermeabilização do solo. Estão previstas a construção de usinas de tratamento de chorume e de biogás. A primeira vai transformar o líquido resultante da decomposição do lixo na chamada água de reuso, que apesar de não ser potável, pode ser utilizada no próprio CTR para lavagem de veículos, jardinagem e umidificação das pistas.

A usina de biogás, que também se encontra em processo de construção, terá como objetivo o tratamento de um dos principais causadores do efeito estufa. Composto por 50% de gás metano, ele poderá ser transformado em combustível ou gerar energia.

- A captação do gás traz benefícios enormes, incluindo a meta de redução de emissão de gases poluentes instituída pelo município, que é de 8% até 2016. Seropédica vai produzir, já a partir de 2014, 4MW de potência, o suficiente para abastecer uma cidade de quatro mil habitantes. Em 15 anos essa capacidade vai chegar até 25MW, o suficiente para abastecer uma cidade de 250 mil habitantes – esclareceu Gouvêa

Fonte: cidade olimpica.