05 agosto, 2013

A desmilitarização da polícia

 

“Eu particularmente não vejo problema em desmilitarizar a polícia, embora eu ache que o Brasil está muito longe disso”

josé mariano beltrame

A desmilitarização da polícia, tema central de diversos protestos por todo o Brasil, chegou à cúpula de segurança do Rio de Janeiro. O Secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e o comandante da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, falaram sobre o tema nesta sexta-feira (2). Em entrevista à Rádio CBN, Beltrame diz que não vê problema em desmilitarizar a polícia, embora considere que o Brasil “está muito longe disso”.

“Eu particularmente não vejo problema em desmilitarizar a polícia, embora eu ache que o Brasil está muito longe disso”, disse o secretário, acrescentando que gosta do modelo de polícia chileno, que é de formação militar.

“Eu acho que isso [desmilitarização] tem que ser muito esclarecido para a população por um motivo só: você vai desmilitarizar a Polícia Militar e criar a Polícia Civil? Ou você vai desmilitarizar a Polícia Militar e criar uma outra polícia no regime Guarda Municipal? O que se quer efetivamente no sentido de desmilitarizar a Polícia Militar? São nessas questões que nós temos que ficar muito atentos”, disse ele, para em seguida questionar o termo. “Desmilitarizar, o que é desmilitarizar? Porque se for só uma questão de acabar com as patentes, o militaristmo em si, isso alguma coisa de lei faz. Ou nós vamos desmilitarizar a polícia e juntar com polícia civil e fazer uma polícia só?”, questionou.
Segundo Beltrame, é importante escolher a maneira que essa desmilitarização vai ser feita, utilizando o exemplo da polícia chilena “Nos temos países, nós temos países onde há uma polícia só, com um caráter mais ou menos militar. Então a manifestação pode pedir isso e tem que se discutir pra ver como se como fazer isso”, finalizou.

Já o coronel Erir Ribeiro, apesar de seguir a linha de Beltrame, acha que a população “não vai gostar muito” da desmilitarização. Apesar de notícias sobre a possível troca de comando da PM, Erir deixou claro que é a favor de uma “reforma” na polícia, desde que o regulamento da Polícia Militar seja mantido. “Se isso não acontecer, acho que os 16 milhões de habitantes do estado do Rio de Janeiro não vão gostar muito disso”, disse ele.

  • Troca de comando da PM

    Beltrame também falou sobre a possibilidade de troca de comando na Polícia Militar. Segundo ele, “Há sempre essa possibilidade, mas com muita responsabilidade e critério. Temos que olhar o contexto e, visando o resultado, o contraponto”.

    Ao ser perguntado em entrevista à Rádio CBN se está satisfeito com o trabalho de Erir Ribeiro Costa Filho no comando da PM, Beltrame afirmou que” nunca está satisfeito com a segurança pública”. “Ainda temos que lutar muito para combater a ‘gordura criminosa’, que é um trabalho muito difícil.

  • P2 nas manifestações

    Erir Ribeiro defendeu ainda a atuação de policiais infiltrados nas manifestações, sob o argumento da inteligência da Polícia. “A polícia do mundo inteiro age assim. “Para que a polícia possa realizar seu trabalho ostensivo, precisamos de informações”, defendeu-se ele.

    Diante das novas informações no caso Amarildo, que vem sendo acompanhado de perto por Beltrame e pelo titular da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa, Erir limitou-se a dizer que “quem foi responsável irá pagar pelo que fez”.

    Fonte: www.policialbr.com